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Music for The Masses - Parte II.

Atualizado: Set 19

Como Depeche Mode conquistou o mundo - Parte II: O Lado Negro da Força.



Leia a primeira parte aqui.


Depeche Mode foi considerado uma banda pop adolescente durante seu período inicial no Reino Unido, sendo alvo do interesse de revistas pop teen, como Smash Hits. Após a partida de Vince Clarke, a música deles começou a tomar um tom mais sombrio. Enquanto A Broken Frame desviava-se apenas um pouco do trabalho anterior, a partir de 1983, as canções de Gore se desenvolviam mais seguras e sofisticadas. O compositor afirmaria que, ao mesmo tempo que a música da banda contém um elemento de esperança, ele sente que temas relacionados ao isolamento e à solidão são uma melhor representação da realidade, enquanto canções felizes são falsas e irreais.


Para o terceiro álbum, Construction Time Again, Depeche Mode trabalhou com o produtor Gareth Jones, no John Foxx's Garden Studios e no Hansa Studios em Berlim Ocidental (onde grande parte da trilogia de David Bowie de álbuns eletrônicos seminais com Brian Eno haviam sido produzidos). O álbum viu uma mudança dramática no som do grupo, devido em parte à introdução de Wilder dos samplers Synclavier e Emulator, em parte pelas composições de Gore, com letras que incluíam temas como sexo, religião e política. Ao incorporar os ruídos dos objetos do cotidiano, com letras mais sombrias, a banda criou um som eclético de influência industrial.


Wilder viria a ser chamado de "Diretor Musical" da banda, responsável por esculpir o som da banda até sua partida em 1995. Segundo o produtor Flood: "Alan é uma espécie de artesão, Martin é o homem das ideais e Dave é a atitude".

Em 1984 o Depeche Mode quebrou barreiras alcançando grande sucesso em diversos mercados, com o lançamento em março do single People Are People. A música estourou, alcançando a segunda posição na Irlanda e Polônia, a número 4 no Reino Unido e Suíça e a número 1 na Alemanha Ocidental, a primeira vez que um single do Depeche Mode liderou a parada de singles de um país, onde foi usada como tema da cobertura da TV da Alemanha Ocidental das Olimpíadas de 1984. Além desse sucesso europeu, a música também alcançou a 13ª posição nas paradas americanas em meados de 1985, a primeira aparição de um single da banda na Billboard Hot 100, e foi um hit do Top 20 no Canadá.


"People Are People", um apelo antêmico à tolerância, se tornou um hino para a comunidade LGBT, tocado regularmente em estabelecimentos gays e festivais de orgulho gay no final dos anos 80. Sire, a gravadora norte-americana da banda, lançou uma compilação com o mesmo nome, que incluía faixas de A Broken Frame e Construction Time Again, além de vários lados B.


Em setembro de 1984, Some Great Reward foi lançado. Contrastando com os temas políticos e ambientais abordados no álbum anterior, as músicas de Some Great Reward focam em temas mais pessoais, como sexualidade (Master and Servant), relacionamentos adúlteros (Lie to Me) e a arbitrariedade da justiça divina (Blasphemous Rumours), além da primeira balada cantada por Martin Gore (Somebody).

No final do ano a banda lançaria seu primeiro vídeo, The World We Live In and Live in Hamburg, filmado durante a Some Great Reward Tour. Com grande sucesso no leste europeu, em julho de 1985 a banda fez seus primeiros shows em Budapeste e Varsóvia. Em outubro de 1985, Mute lançou duas compilações com faixas levemente diferentes, The Singles 81 → 85 para o mercado europeu e Catching Up with Depeche Mode para os Estados Unidos.

Neste período a imagem da banda nos Estados Unidos e na Europa eram opostas, enquanto na Europa a banda lutava para se desvencilhar da imagem de ídolos juvenis, e aparecia regularmente nas revistas europeias para adolescentes, no outro lado do Atlântico, a banda ganhava destaque através das rádios da universitárias e nas estações de rock moderno, como KROQ em Los Angeles, KQAK ("The Quake") em San Francisco, WFNX em Boston e WLIR em Nova York, atraindo principalmente a um público alternativo.

Lançado em março de 1986, Black Celebration, consolidou o som sombrio criado por Alan Wilder, mantendo o criativo trabalho de sampleamento. A banda começava a se afastar do som "industrial pop" que caracterizou seus dois LPs anteriores, trazendo para as compasições um som sinistro, altamente atmosférico e texturizado. As letras de Gore também assumiram um tom mais sombrio e se tornaram mais pessimistas.

O Black Celebration alcançou elevado sucesso comercial entrando em diversas paradas musicais do mundo, incluindo o quarto lugar na parada de álbuns do Reino Unido, segundo na Alemanha e primeiro na Suíça. Três anos após seu lançamento, a Spin o classificou na 15ª posição de sua lista dos " 25 Greatest Albums of All Time".

O videoclipe de "A Question of Time" foi o primeiro a ser dirigido por Anton Corbijn, iniciando uma colaboração que perdura até os dias de hoje, com o artista dirigindo 20 dos vídeos da banda, algumas de suas apresentações ao vivo, ser responsável cenários e efeitos visuais de diversas turnês da banda, além de designer da maioria das capas de álbuns e singles a partir do álbum Violator.

Música para as Massas:


Music for the Masses, de 1987, viu outras alterações no som e nos métodos de trabalho da banda. Pela primeira vez, um produtor não relacionado à Mute Records, Dave Bascombe, foi chamado para ajudar nas sessões de gravação. A banda, no entanto, já se sentia bastante segura em relação ao som que desejava e como obtê-lo em estúdio, desta forma, segundo Alan Wilder, o papel de Bascombe tenha na prática sido mais de engenheiro de som. Neste álbum, a banda começou a se afastar dos samplers e iniciou a experimentação com programação de sons em sintetizadores.

Durante a turnê de Music for the Masses, durou 8 meses, iniciando em 22 de outubro de 1987 e finalizando em 18 de junho de 1988, e contou com 101 apresentações (origem do título do álbum ao vivo e do documentário gravado durante a última etapa da turnê). Em 7 de março de 1988, sem nenhum anúncio prévio de que seria a atração principal, Depeche Mode tocou em Werner-Seelenbinder-Halle, Berlim Oriental, tornando-se um dos poucos grupos ocidentais se apresentarão na Alemanha Oriental Comunista. Eles também fizeram concertos em Budapeste e Praga em 1988, na época também comunistas.

A turnê mundial terminou em 18 de junho de 1988 com um concerto no Pasadena Rose Bowl, com 60.453 espectadores, o maior público em oito anos no local. A turnê foi enorme sucesso nos Estados Unidos, consolidando a posição de grandes astros para a banda naquele país.

As massas estavam a seus pés, mas ao invés de se resguardar em uma zona de conforto, o Depeche Mode resolveu inovar, segundo Wilder “Estávamos começando a ter um problema com o tédio, porque sentimos que alcançamos um certo nível de conquista ao fazer as coisas de uma certa maneira.”, Gore complementou “Nos últimos cinco anos, acho que aperfeiçoamos uma fórmula (....) Decidimos que nosso primeiro disco dos anos 90 deveria ser diferente”.


Mas isto é uma história para a parte III...


Leia a terceira parte aqui.


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